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  • Prazo para solicitar isenção da taxa do Enem 2023 começa em 17 de abril

    Os estudantes que desejam solicitar a isenção da taxa de inscrição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2023 já podem se preparar. O prazo para realizar o pedido de isenção começa em 17 de abril e vai até o dia 28 do mesmo mês. O processo é totalmente online e deve ser feito através da Página do Participante, com o login único da plataforma Gov.br.

    Podem solicitar a isenção do pagamento os alunos da última série do ensino médio em 2023, em qualquer modalidade de ensino, na rede pública declarada ao Censo Escolar da Educação Básica. Além disso, também têm direito os estudantes que tenham cursado todo o ensino médio em escola da rede pública ou como bolsista integral na rede privada e tenham renda per capita igual ou inferior a um salário mínimo e meio. Por fim, é possível solicitar a isenção para aqueles que declararem situação de vulnerabilidade socioeconômica, por ser membro de família de baixa renda e estar inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal.

    Aqueles que tiveram a isenção concedida no Enem 2022 e não compareceram aos dois dias de prova devem justificar a ausência para solicitar a isenção no Enem 2023. O prazo é o mesmo da solicitação de isenção, de 17 a 28 de abril, também através da Página do Participante.

    Para recuperar a senha da conta cadastrada, caso o participante não se lembre dela, é possível fazer a recuperação por meio de aplicativos como o Meu gov.br ou de bancos credenciados, pelo internet banking, por e-mail ou por mensagem de texto (SMS) no celular.

    É importante lembrar que mesmo solicitando a isenção da taxa de inscrição, os participantes devem se inscrever no Enem 2023 dentro do prazo divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A aprovação da justificativa de ausência no Enem 2022 ou da solicitação de isenção de pagamento da taxa de inscrição no Enem 2023 não garante automaticamente a inscrição do candidato no exame.

    O resultado da justificativa de ausência e solicitação de isenção de pagamento da taxa de inscrição para o Enem 2023 será divulgado em 8 de maio, com possibilidade de recurso da decisão, no prazo de 8 a 12 de maio, conforme edital. O resultado final sairá em 19 de maio.

    O Enem é a principal porta de entrada para a educação superior no Brasil, por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), do Programa Universidade para Todos (Prouni) e Fundo de Financiamento Estudantil (FIES), que considera as notas individuais obtidas pelos inscritos no Enem para aproveitamento nos processos seletivos.

    Neste ano, o Inep disponibilizou duas versões do edital de isenção da taxa de inscrição no Enem 2023 e da justificativa de ausência no Enem 2022, voltadas a participantes com deficiência. A primeira, em Língua Brasileira de Sinais (Libras), e a segunda, com adaptações para pessoas com deficiências visuais.

  • Lista de espera do Prouni 2023 é divulgado pelo MEC

    O Ministério da Educação (MEC) divulgou na segunda-feira (10) o resultado da pré-seleção para lista de espera do Programa Universidade Para Todos (Prouni) 2023. Os participantes que manifestaram interesse em disputar uma bolsa do Prouni pela lista de espera já podem conferir se foram pré-selecionados para o Programa. A consulta pode ser feita pelo ambiente do Prouni, no portal Acesso Único, e ficará disponível até o dia 19 de abril.

    Os pré-selecionados da lista de espera terão até o dia 19 de abril para comprovar as informações da inscrição diretamente na instituição que escolheram. A primeira edição do Prouni 2023 ofertou mais de 290 mil bolsas.

    O processo seletivo do Prouni ocorre duas vezes ao ano e tem como público-alvo a população que não possui diploma de nível superior. Para obter uma bolsa integral, o candidato deve comprovar renda familiar bruta mensal, por pessoa, de até um salário mínimo e meio. Já para a bolsa parcial (50%), a renda familiar bruta mensal deve ser de até três salários mínimos por pessoa da família.

    O Prouni é um programa de acesso ao ensino superior que oferece bolsas de estudo integrais e parciais em instituições particulares de ensino superior para aqueles que nunca concluíram um curso de graduação. É uma oportunidade para aqueles que não possuem condições financeiras de pagar integralmente uma faculdade particular.

    É importante destacar que o programa não oferece apenas bolsas para cursos de graduação, mas também para cursos de tecnólogo e sequenciais de formação específica.

    O resultado da lista de espera do Prouni 2023 é uma boa notícia para muitos estudantes que estão em busca de uma oportunidade de cursar o ensino superior em uma instituição particular e de qualidade. Agora, os pré-selecionados devem ficar atentos aos prazos e providenciar a comprovação das informações para garantir a bolsa.

  • Inep prorroga prazo para justificar ausência no Encceja 2022

    Termina na próxima sexta-feira (14) o prazo para que candidatos que faltaram à edição de 2022 do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) possam justificar a ausência. Essa medida é necessária para que os participantes possam se inscrever gratuitamente no Encceja 2023.

    A justificativa deve ser acompanhada de documentos que comprovem o motivo da ausência, datados e assinados. Caso o candidato não apresente justificativa, será necessário pagar uma taxa de R$40 ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão responsável pela prova.

    As solicitações serão analisadas pelo Inep, e o resultado deve ser divulgado a partir de 24 de abril, iniciando-se o prazo para recurso. O processo deve ser realizado por meio do Sistema Encceja.

    Aqueles que tiverem a justificativa de ausência aprovada estarão aptos a se inscrever gratuitamente no Encceja 2023. As inscrições para o exame serão realizadas entre os dias 22 de maio e 2 de junho.

    O Encceja é uma iniciativa que visa possibilitar a retomada da trajetória escolar por jovens e adultos que, por algum motivo, não concluíram os estudos na idade apropriada. Aqueles que forem aprovados no exame poderão ter acesso a certificados de conclusão dos ensinos fundamental e médio.

    É importante lembrar que o prazo para justificar a ausência é válido apenas para a edição de 2022 do Encceja. Para os anos anteriores, os candidatos que faltaram ao exame deverão seguir outras orientações.

  • MEC autoriza novos cursos de medicina em regiões onde faltam médicos

    O Ministério da Educação (MEC) publicou uma portaria nesta quinta-feira (6) no Diário Oficial da União que autoriza a abertura de novas vagas em cursos de medicina em regiões do país que sofrem com a falta de médicos. A medida revoga uma portaria anterior, de abril de 2018, que proibia a abertura de novos cursos de medicina no país.

    De acordo com o texto da nova portaria, a abertura de vagas deve ser feita por meio de chamamentos públicos que priorizem regiões com menor relação de vagas e médicos por habitante. Além disso, os chamamentos devem considerar a relevância e a necessidade social da oferta de cursos de medicina e a existência de equipamentos públicos adequados, suficientes e de qualidade.

    A portaria define ainda que os chamamentos públicos relativos à estrutura de serviços conexos à saúde e à formação médica deverão considerar critérios como a integração ao sistema de saúde regional por meio do estabelecimento de parcerias entre a instituição proponente e unidades hospitalares que possibilitem campo de prática durante a formação médica; vagas a serem preenchidas com base em objetivos de inclusão social; integração a unidades vinculadas ao Sistema Único de Saúde (SUS); e oferta de formação médica especializada em residência médica.

    Os processos de autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento de cursos de medicina deverão utilizar instrumentos de avaliação definidos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

    Em ambas as modalidades, os processos de autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento de cursos de medicina deverão utilizar instrumentos de avaliação definidos pelo Inep.

    A proibição da abertura de vagas de medicina no Brasil estava em vigor desde abril de 2018, mas foi antecipada na quarta-feira (5) pelo ministro da Educação, Camilo Santana, que afirmou que a medida teve efeito contrário ao pretendido, já que acabou sendo superada por meio de decisões judiciais. Desde então, foram criadas cerca de 50 mil novas vagas em cursos de medicina em faculdades privadas, passando de 109 mil para 158 mil vagas.

    O fluxo, os procedimentos, o padrão decisório e o calendário para protocolo dos pedidos de aumento de vagas dos cursos de medicina ofertados por instituições vinculadas ao sistema federal de educação superior serão estabelecidos por meio de ato Ministério da Educação, ouvida a Comissão Interministerial de Gestão da Educação na Saúde, de que trata o Decreto nº 11.440, de 2023, no prazo de 120 dias, a partir da publicação desta portaria.

  • Prouni: Encerra nesta quinta-feira prazo da lista de espera

    O Programa Universidade para Todos (Prouni) está com o prazo aberto para a manifestação de interesse pela lista de espera. Os candidatos que não foram pré-selecionados em nenhuma das duas chamadas podem disputar uma bolsa por meio dessa lista. A manifestação de interesse pode ser feita até esta quinta-feira (6), por meio da página do Prouni, no Portal Único de Acesso ao Ensino Superior.

    A lista de espera do Prouni será divulgada na próxima segunda-feira (10), com a relação de todos os participantes selecionados, mas prazo para se inscrever termina hoje. O candidato deve comprovar as informações diretamente na instituição para a qual foi pré-selecionado, durante o mesmo período. A lista ficará disponível para consulta até o dia 19 de abril, no ambiente do Prouni.

    A primeira edição do Prouni 2023 ofertou mais de 290 mil bolsas de estudo integrais e parciais em cursos de graduação e sequenciais de formação específica, em instituições de educação superior privadas. Criado em 2004, pela Lei nº 11.096/2005, o programa é uma política pública do Ministério da Educação e tem como público-alvo o estudante que não possui diploma de nível superior.

    O Prouni é uma oportunidade para os estudantes que não têm condições financeiras de arcar com os custos de uma faculdade particular. As bolsas são concedidas com base nas notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e na situação socioeconômica do candidato. Aqueles que obtiverem as maiores notas têm mais chances de serem selecionados, mas é importante lembrar que a nota de corte varia de acordo com o curso e a instituição de ensino.

    Para se inscrever no Prouni, é necessário ter participado do Enem mais recente e ter alcançado uma nota mínima de 450 pontos na média das provas. O candidato também não pode ter zerado a redação. Além disso, é preciso atender aos requisitos de renda, que variam de acordo com o tipo de bolsa. Para as bolsas integrais, a renda familiar bruta mensal deve ser de até um salário mínimo e meio por pessoa. Já para as bolsas parciais, a renda familiar bruta mensal deve ser de até três salários mínimos por pessoa.

    O Prouni é uma iniciativa importante para promover o acesso à educação superior no país, especialmente para aqueles que não têm condições financeiras de pagar por uma faculdade particular. A lista de espera é uma oportunidade adicional para os estudantes que desejam concorrer a uma bolsa de estudos, mas que não foram selecionados nas primeiras chamadas. Por isso, é importante ficar atento aos prazos e realizar a manifestação de interesse pela lista de espera dentro do prazo estabelecido.

  • Notas de corte parciais do Sisu estão disponíveis

    Neste sábado (18/2), terceiro dia de inscrições no Sistema de Seleção Unificado (Sisu) do Ministério da Educação, os cursos de medicina são os mais procurados pelos candidatos. São mais de 226 mil vagas disponibilizadas em 128 instituições de ensino superior, incluindo 63 universidades federais.

    Como funciona o Sisu

    Para chegar aos dados da classificação parcial durante o período de inscrições, o Sistema considera a ordem das notas dos candidatos inscritos por curso, turno e modalidade de concorrência, de acordo com o total de vagas ofertadas. A nota de corte é a nota do último candidato inscrito até o total das vagas disponibilizadas para cada opção de curso, turno e modalidade.

    Como os estudantes podem mudar as opções de cursos até o último dia de inscrições do Sisu, ou seja, às 23h59 do dia 24/2, as notas de corte parciais oscilam. Por isso, é preciso ficar atento às notas parciais divulgadas, uma vez por dia, ao longo do período de inscrição.

    Ao perceber que tem pouca chance de conseguir a vaga desejada, o candidato pode alterar a escolha do curso, mas deve fazê-lo se tiver real interesse em ocupar a vaga do curso para o qual consiga atingir a nota de corte. Caso contrário, acabará impedindo que ela seja disputada por quem tem interesse em fazer o curso.

    O Edital do Sisu 2023 tem todas as regras e o cronograma completo. A inscrição deve ser feita na página acessounico.mec.gov.br/sisu. O Sistema disponibiliza vagas em 6.402 cursos de graduação, disponíveis para consulta e inscrição por modalidade de concorrência, cursos, turnos, instituições e localização.

    Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Sesu.

  • MEC retomará 4 mil obras em universidades e institutos federais

    O ministro da Educação (MEC), Camilo Santana, anunciou na quinta-feira (16) que o governo vai retomar cerca de 4 mil obras paradas, que vão desde creches até campi de universidades e institutos federais de ensino superior.

    “Já fizemos todo um levantamento, onde estão, que tipo de obra. Vai ter que ter uma arcabouço jurídico legal para permitir a retomada de muitas dessas obras. Tem obra desde 2007, obras em que já foram encerrados os convênios”, explicou Santana, após participar de cerimônia do anúncio do reajuste das bolsas de pesquisa, congeladas desde 2013. Segundo o ministro, uma medida provisória deve ser editada para permitir a retomada dessas obras.

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também anunciou, em discurso na cerimônia, que o governo federal vai investir cerca de R$ 23 bilhões em obras apenas este ano. O valor, segundo ele, supera tudo o que foi feito ao longo da gestão passada.

    “Só no ano de 2023, o nosso governo vai investir mais em infraestrutura do que nos 4 anos do ex-presidente. Foram R$ 20 bilhões em 4 anos, e nós só em 1 ano vamos investir R$ 23 bilhões”, disse.

    Merenda escolar

    Outro anúncio que deve sair em breve, segundo o ministro da Educação e o presidente, é o reajuste no valor da merenda escola, há pelo menos 6 anos defasado. Os recursos são os repassados a estados e municípios destinados à compra da merenda para estudantes da rede pública.

    Atualmente, os valores são R$ 0,36 por estudante dos ensinos fundamental e médio; R$ 1,07 para estudantes e crianças matriculadas em creches e no ensino integral; R$ 0,53 para estudantes da pré-escola; R$ 0,64 para escolas indígenas e quilombolas e R$ 0,32 para estudantes da educação de jovens e adultos.

    De acordo com Camilo Santana, que não quis antecipar os novos valores, o reajuste deverá ser acima da inflação acumulada no período.

  • Sisu: cronograma e as vagas disponíveis para a primeira edição do ano

    Os candidatos a uma vaga em instituição pública de ensino superior devem ficar atentos ao cronograma e às demais regras da primeira edição de 2023 do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), do Ministério da Educação (MEC). As inscrições iniciam nesta quinta-feira (16) e todas as informações do processo seletivo estão disponíveis em edital publicado no Diário Oficial da União (DOU).

    Com o fim das inscrições, em 24 de fevereiro, os candidatos terão a oportunidade de conferir o resultado da chamada regular no dia 28 do mesmo mês. De 2 a 8 de março, ocorrerá a fase de matrícula. Para participar da lista de espera, o estudante que não tiver sido contemplado na chamada regular poderá manifestar interesse entre os dias 28 de fevereiro a 8 de março. A convocação dos candidatos da última etapa, por parte das universidades, está prevista para ocorrer a partir de 13 de março.

    Serão mais de 226 mil vagas disponibilizadas em 128 instituições públicas de ensino superior participantes, sendo 63 universidades federais. Ao todo, são 6.402 cursos de graduação. No site do Sisu, é possível visualizar as vagas ofertadas por modalidade de concorrência, cursos, turnos, instituições e localização.

    A antecipação da publicação dos resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2022, que ocorreu na última semana, possibilitou aos estudantes a oportunidade de se prepararem com mais antecedência para concorrer aos processos seletivos que dependem das notas da prova. Como o caso do Sisu, em que o interessado precisa ter participado – sem ser na condição de treineiro – do Enem e tirado nota acima de zero na prova de redação.

  • População desconhece mudanças trazidas pelo novo ensino médio

    O novo ensino médio começou a ser implementado nas escolas brasileiras, públicas e privadas, no ano passado. Entretanto, pesquisa do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e do Serviço Social da Indústria (Sesi) sobre as mudanças que estão sendo realizadas aponta que 55% da população estão pouco ou nada informados sobre o modelo e apenas 15% estão informados ou muito informados.

    Para o professor da Faculdade de Educação e coordenador do grupo de pesquisa Observatório Jovem do Rio de Janeiro da Universidade Federal Fluminense (UFF), Paulo Carrano, o resultado não é estranho porque, de fato, essa política pública foi feita “na improvisação”, sem o diálogo necessário com a sociedade, em especial com a comunidade escolar de base, alunos, professores e gestores.

    “Estamos diante do desafio de uma formação cidadã, que incorpore também a formação de valores democráticos, não apenas de acesso ao conhecimento. E isso tem que ser feito com muito diálogo”, disse, em entrevista à Agência Brasil.

    O novo ensino médio foi aprovado por lei em 2017, durante o governo do ex-presidente Michel Temer, com o objetivo de tornar a etapa mais atrativa e evitar que os estudantes abandonem os estudos.

    “Tivemos um vácuo de democracia, de institucionalidade federal anterior, e agora estamos com oportunidade de retomar o caminho. A expectativa que eu tenho é que se possa abrir, daqui pra frente, um amplo processo de conversação. Temos um déficit de escuta dos estudantes e eles têm muito a dizer sobre que tipo de escola eles querem.”

    A implementação ocorre de forma escalonada até 2024. Em 2022, ela começou pelo 1º ano do ensino médio com a ampliação da carga horária para pelo menos cinco horas diárias. Pela lei, para que o novo modelo seja possível, as escolas devem ampliar a carga horária para 1,4 mil horas anuais, o que equivale a sete horas diárias. Isso deve ocorrer aos poucos.

    Segundo dados do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), mesmo em meio à pandemia de covid-19, as secretarias estaduais mantiveram o cronograma e todos os estados já estão com os referenciais curriculares do novo ensino médio homologados.

    Entretanto, segundo Carrano, há um descompasso entre ideias e condições objetivas de realização. Ele explica que a implementação ocorre com professores insatisfeitos pela desorganização que a reforma promoveu no cotidiano escolar, diante da falta de estrutura e laboratórios necessários nas escolas públicas para oferecer a pluralidade que a reforma do ensino médio promete.

    “É uma proposta que poderia ser melhor aproveitada se tivesse sido precedida por reformas estruturais nas escolas, onde professores tivessem mais tempo e dedicação exclusiva, que é uma reivindicação antiga da categoria docente, para dar sustentação àquilo que aparece na reforma como princípio, que é a possibilidade de escolher caminhos formativos.”

    Apesar da baixa informação, de pouca discussão na sociedade sobre a reforma, há uma ampla concordância com relação aos princípios da política. De acordo com a pesquisa, quando são listadas as principais mudanças, mais de 70% dos brasileiros aprovam as principais diretrizes, incluindo a escolha dos itinerários e novo modelo de currículo.

    Com o novo modelo, parte das aulas será comum a todos os estudantes do país, direcionada pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Na outra parte da formação, os próprios alunos poderão escolher um itinerário para aprofundar o aprendizado. Entre as opções, está dar ênfase, por exemplo, às áreas de linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas ou ao ensino técnico. A oferta de itinerários, entretanto, vai depender da capacidade das redes de ensino e das escolas.

    Em 2023, a implementação segue com o 1º e 2º anos e os itinerários devem começar a ser implementados na maior parte das escolas. Em 2024, o ciclo de implementação termina, com os três anos do ensino médio.

    Formação profissional

    Entre os resultados da pesquisa, a possibilidade de o estudante fazer um curso técnico durante o ensino médio é aprovada por 9 em cada 10 pessoas. Para o diretor-geral do Senai e diretor-superintendente do Sesi, Rafael Lucchesi, como pouco mais de 20% de quem está no fluxo educacional vai para a universidade, essa possibilidade é muito importante.

    “A reforma tem como aspecto positivo entender que o ensino médio é um período de transição, em que parte dos jovens vai a universidade e parte vai para o mercado de trabalho. Trazer a educação profissional para educação regular foi um grande avanço, porque em todos os países, a maior parte dos jovens não vai para a universidade; no Brasil, pouco mais de 20% vão para universidade. Então, não podemos ignorar a maior parte dos estudantes que estão nas escolas e a importância do ensino médio é esse impulsionamento para o seu projeto de vida e carreira a partir de suas vocações”, disse.

    Entre os desafios de implementação, Lucchesi cita a formação e capacitação de professores, a comunicação com a sociedade, em especial as famílias, e a incorporação do itinerário de educação técnica profissional, que deve demandar parcerias com outras instituições.

    Segundo o professor Paulo Carrano, o Brasil já tem experiências exitosas no ensino médio profissionalizante, como os centros federais de Educação Tecnológica, os institutos federais e algumas escolas estaduais bem organizadas, com infraestrutura e professores valorizados.

    “As pessoas reconhecem a importância de que o ensino médio de fato seja uma educação superior em si e não um degrau para a universidade, que ele seja capaz de formar um cidadão, com valores democráticos, capaz de enfrentar os desafios de uma sociedade do conhecimento como temos hoje, que encontrem no ensino médio uma identidade técnico profissional e que ao final da educação básica possa cursar o ensino superior se assim o desejar”, disse.

    Outros resultados da pesquisa apontam que 87% dos entrevistados aprovam o aluno fazer escolhas dentro do currículo que estejam relacionadas à carreira que pretende seguir; 75% aprovam a possibilidade do aluno escolher parte das disciplinas que pretende cursar; 72% aprovam novo modelo de currículo; e 69% aprovam aumento da carga horária.

    Para Carrano, apesar do desconhecimento sobre o ensino médio, tal como foi redesenhando, a população está valorizando coisas que são importantes e que estão previstas em lei como missão dessa última etapa da educação básica.

    “O que as pessoas estão reivindicando não é necessariamente a defesa do novo ensino médio, mas um escola pública de qualidade”, disse. “Se substituir [nas perguntas da pesquisa] ‘novo ensino médio’ por ‘escola de qualidade’, as pessoas vão dizer ‘sim, eu quero uma escola que tenha liberdade de escolha, que permita a formação técnico profissional do estudante e uma escola que ofereça as ferramentas necessárias para que os jovens aumentem seus repertórios e possam ser cidadãos completos’”, explicou.

    É temeroso, entretanto, para o pesquisador, a substituição de disciplinas que são importantes “para enfrentar a complexidade do mundo do conhecimento”, como filosofia, história e sociologia, por outros arranjos de ensino relacionados ao mercado de curto prazo e a modismos.

    “Um professor me reclamava que retiraram a carga horária de sociologia para colocar a formação de influencer e outros nomes que são folclóricos, que têm a ver com essa velocidade do mercado, das indústrias culturais. Ainda que a escola tenha que dialogar, ela não pode ser refém desses tempos tão velozes, ela tem ser um lugar de segurança, de tempo mais lento, de elaboração mais cuidadosa do conhecimento. Ela não deve apenas espelhar aquilo que os mercados estão demandando”, destacou.

    Avaliação

    A boa aceitação das mudanças vem acompanhada do fato de que o ensino médio é a segunda etapa escolar com pior avaliação no que diz respeito à qualidade. De acordo com a pesquisa, a alfabetização aparece em primeiro, com 20% dos entrevistados avaliando essa etapa como ruim ou péssima, seguida pelo ensino médio, com 14%. O ensino fundamental tem 13% de reprovação e as creches, 11%. Já 8% da população avaliam como ruins ou péssimos o ensino técnico e o superior.

    A última etapa da formação básica deve preparar os jovens para o início da trajetória profissional. Mas, para a maioria dos brasileiros, isso não tem acontecido: 57% acreditam que os estudantes concluem a educação básica pouco ou nada preparados para o ensino superior. Só 1 em cada 10 (13%) acha que o aluno sai bem preparado.

    Quando a pergunta é se o ensino médio prepara para o mercado de trabalho, o índice se repete: 57% acham que prepara pouco ou nada. Apenas 14% dos brasileiros avaliam que o estudante termina o 3º ano preparado para ingressar no mundo do trabalho.

    Além da falta de atratividade, uma das dificuldades que precisa ser resolvida, segundo o professor Paulo Carrano, é a própria condição do estudante, principalmente o estudante pobre, de permanecer na escola. “É preciso pensar nas condições objetivas para que professores deem boas aulas, mas se esse estudante não conseguir estar na escola por falta de condições econômicas, de mobilidade ou de segurança, não teremos estudantes para dialogar”, argumentou.

    Expectativas

    A percepção de que o ensino médio não tem cumprido seu propósito e a avaliação positiva das principais mudanças previstas no novo modelo se desdobram em expectativas. Entre quem está muito informado ou informado sobre o novo ensino médio, 55% acreditam que o potencial para melhorar a formação do aluno é grande ou muito grande. Na população geral, esse índice é de 40%.

    Outros resultados da pesquisa apontam que 83% acreditam que o novo ensino médio desenvolverá os conhecimentos, habilidades e atitudes necessárias para os jovens; 83% que as escolas brasileiras formarão jovens mais preparados para os desafios e demandas do atual mercado de trabalho; e 80% acham que promoverá a elevação da qualidade do ensino no país.

    Para Paulo Carrano, entretanto, é preciso avaliar com cuidado e dialogar sobre as mudanças e incorporações curriculares. Para ele, um dos desafios em se largar repertórios inovadores é a adequada formação dos professores. “Embora haja professores fazendo coisas interessantes, têm outros improvisando de maneira inadequada”, disse

    Ele destaca, por exemplo, o Projeto de Vida, que é um componente curricular do novo ensino médio ligado ao desenvolvimento de competências socioemocionais do estudante, para que ele construa sua própria trajetória profissional, acadêmica e pessoal com autonomia.

    “Eu vejo com bons olhos, os jovens têm dito que se sentem muitos sozinhos para fazer as escolhas dos caminhos formativos e, com toda dificuldade, eles têm gostado de ter alguém conversando sobre o futuro. Mas como está sendo feito? O Projeto de Vida está sendo pensado como escuta profunda sobre as reais condições de tomada de decisões para se fazer escolhas ou está sendo feito muito mais como oficina motivacional futurista e muitas vezes tentando convencer o jovem que ele não pode sonhar mais do que ele gostaria de sonhar?”, questionou Carrano.

    A pesquisa do Senai e do Sesi ouviu 2.007 brasileiros, com idade a partir de 16 anos, em abordagem domiciliar, de 8 a 12 de dezembro de 2022, nos 26 estados e no Distrito Federal. A amostra repete o perfil da população brasileira segundo renda, região e perfil da cidade (capital, região metropolitana e interior). A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.

  • Fies: termina hoje prazo para complementação de dados de inscrição

    Termina hoje (9) o prazo para que os candidatos pré-selecionados pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) complementem os dados de inscrição. O prazo vale para os candidatos cuja inscrição foi postergada para o 1º semestre de 2023 – no caso, as efetivadas em semestre posterior ao que o estudante foi pré-selecionado para uma vaga no programa, segundo o Ministério da Educação.

    A complementação dos dados de inscrição deve ser feita exclusivamente pela internet, na página do Fies até as 23h59 de hoje.

    O Fies é um programa que possibilita, a estudantes, o financiamento das mensalidades nas instituições de educação superior não gratuitas. O programa é dividido em diferentes modalidades, possibilitando juro zero a quem mais precisa, e uma escala de financiamentos que varia conforme a renda familiar do candidato. O acesso aos cursos têm por base a nota obtida no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

    O MEC alerta que, após complementar a inscrição, os estudantes devem ficar atentos a alguns prazos estipulados para as próximas etapas do programa. “Em até cinco dias, contados a partir do dia seguinte à complementação da inscrição, o candidato deve validar as informações já declaradas diretamente na instituição de ensino para a qual foi pré-selecionado”, explicou, em nota, o ministério.

    Além disso, acrescenta a nota, “em até 10 dias, contados a partir do terceiro dia útil seguinte à data da validação da inscrição pela Comissão Permanente de Supervisão e Acompanhamento (CPSA), o estudante deve comparecer ao banco para entregar a documentação exigida para a contratação e, uma vez tendo obtido a aprovação, formalizar o financiamento”.

    O MEC ressalta que toda instituição de ensino que participa do Fies conta com uma CPSA, e que compete, a esse setor, tratar dos assuntos relacionados ao financiamento, bem como oferecer informações sobre os procedimentos para a entrega da documentação exigida.