Tag: Covid-19

  • Anvisa flexibiliza uso de máscaras em serviços de saúde

    Anvisa flexibiliza uso de máscaras em serviços de saúde

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) atualizou a nota técnica sobre o uso de máscaras em serviços de saúde, como hospitais, e flexibilizou a recomendação do uso para algumas situações específicas. A mudança ocorre após discussões sobre o assunto, redução de casos e mortes pela Covid-19 e oferta de vacina no país.

    De acordo com a nova recomendação, a proteção facial passa a ser recomendada para pacientes com sintomas respiratórios ou positivos para a Covid-19 e seus acompanhantes, pacientes que tiveram contato próximo com caso confirmado durante os últimos 10 dias, profissionais que fazem a triagem de pacientes e profissionais do serviço de saúde, visitantes e acompanhantes presentes nas áreas de internação de pacientes.

    Além disso, a máscara deve ser usada em situações em que houver a indicação do equipamento de proteção individual (EPI) para profissionais de saúde, em qualquer área do serviço de saúde.

    A Anvisa define como caso próximo quem esteve a menos de um metro de distância de uma pessoa com Covid-19, por pelo menos 15 minutos, sem máscara; quem teve contato físico direto com um caso positivo da doença e tocou os olhos, a boca ou o nariz com as mãos sem higienizá-las; profissional de saúde que atendeu paciente com a doença sem EPI ou com equipamento de proteção danificado e quem vive ou esteve no mesmo ambiente, creche, alojamento, escritório ou escola de um caso confirmado.

    A Anvisa reforça que acompanhantes de pacientes internados e visitantes continuem a usar a proteção facial quando estiverem nas unidades de saúde. A orientação é não retirar a máscara durante a permanência dentro do estabelecimento de saúde, inclusive no quarto ou na enfermaria onde o paciente estiver. O objetivo dessa medida é prevenir contaminações e transmissão de Covid-19 no ambiente hospitalar e proteger pacientes, outros acompanhantes, visitantes e profissionais.

    A agência informa que as recomendações permanecerão em constante reavaliação com base no cenário da Covid-19.

  • Covid-19: pessoas com comorbidades podem tomar vacina bivalente

    Covid-19: pessoas com comorbidades podem tomar vacina bivalente

    Pessoas com comorbidades foram incluídas nos grupos considerados prioritários para receber a vacina bivalente contra a covid-19. A decisão foi publicada nesta sexta-feira (31) pelo Ministério da Saúde. De acordo com a nota técnica, a inclusão foi feita por conta da disponibilidade de doses do imunizante e tem como base orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

    A lista de comorbidades inclui:

    • diabetes mellitus
    • pneumopatias crônicas graves
    • hipertensão arterial resistente
    • hipertensão arterial estágio 3
    • hipertensão arterial estágios 1 e 2 com lesão em órgão-alvo
    • insuficiência cardíaca
    • cor-pulmonal e hipertensão pulmonar
    • cardiopatia hipertensiva
    • síndromes coronarianas
    • valvopatias
    • miocardiopatias e pericardiopatias
    • doenças da aorta, dos grandes vasos e fístulas arteriovenosas
    • arritmias cardíacas
    • cardiopatia congênita no adulto
    • próteses valvares e dispositivos cardíacos implantados
    • doenças neurológicas crônicas e distrofias musculares
    • doença renal crônica
    • hemoglobinopatias e disfunções esplênicas graves
    • obesidade mórbida
    • síndrome de Down e outras síndromes genéticas
    • doença hepática crônica

    Qualquer pessoa com idade entre 12 e 59 anos que tenha alguma das condições de comorbidades listadas e que já tenha tomado os dois reforços contra a covid-19 pode receber a bivalente. Não é necessário comprovar a comorbidade.

    “Ressalta-se que, para este grupo, não haverá exigência quanto à comprovação da situação de comorbidade, sendo suficiente para a vacinação a comorbidade autodeclarada”, informa nota do Ministério da Saúde.

  • SP sanciona projeto sobre exigência de comprovante da vacina contra Covid-19

    O governador Tarcísio de Freitas sancionou com vetos, nesta terça-feira (14), o projeto de lei 668/2021, que disciplina a exigência de comprovante de vacinação contra Covid-19 no Estado de São Paulo. A nova Lei estabelece os casos para os quais o comprovante de imunização é necessário, desobrigando a apresentação do documento para outras situações.

    Não haverá mais a obrigatoriedade da apresentação do comprovante de vacinação para ter acesso a locais públicos e privados, exceto aos profissionais de saúde, uma vez que podem ter contato com imunossuprimidos, trabalhadores em instituições para idosos, profissionais em contato com crianças portadoras de doenças crônicas e mulheres grávidas, considerando que estas pessoas estão mais propensas a desenvolver formas graves de Covid-19.

    São Paulo atingiu os mais altos índices de cobertura vacinal do país. Mais de 90% da população foi imunizada. Esse resultado é fruto da conscientização das pessoas sobre a importância da vacinação. Por isso, vamos reforçar esse trabalho com a realização de campanhas de vacinação para todas as idades, com informação clara e precisa, além de disponibilizar a vacina para todos”, disse Tarcísio de Freitas.

    A meta do Governo é orientar a população sobre a necessidade de manter acima de 90% a cobertura vacinal para todo Plano Nacional de Imunização (PNI). As ações serão voltadas a prestar todos os esclarecimentos necessários e ainda informar que, para se sentir seguro, o cidadão pode recorrer ao imunizante disponível em todas as unidades básicas de saúde e postos de vacinação espalhados por todo o estado.

    “A Secretaria de Saúde e o Governo de SP são favoráveis à vacina e entendemos que ela é o melhor instrumento que une custo e efetividade para a prevenção de doenças. O que está em discussão é apresentação do comprovante em determinadas situações”, afirmou o secretário de Estado da Saúde, Eleuses Paiva.

  • Vacinação em SP contra Covid -19 e outras doenças segue nesta terça

    Nesta terça-feira (14), a vacinação contra a Covid-19 segue para toda a população acima de 6 meses de idade na cidade de São Paulo. O serviço está disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs)/UBSs Integradas e megapostos.

    Atualmente, todas as crianças com idade de 6 meses até 2 anos, 11 meses e 29 dias podem receber a primeira dose do imunizante contra a Covid-19. Para este público, o esquema vacinal é realizado em três doses, sendo a segunda dose quatro semanas (28 dias) após a primeira, e a terceira dose oito semanas (56 dias) após a segunda.

    Vale lembrar que Pfizer Baby contra a Covid-19 pode ser administrada simultaneamente com as demais vacinas do Calendário Nacional de Vacinação para o público infantil, segundo o Ministério da Saúde.

    Esquema vacinal para outras faixas etárias

    A vacinação em SP contra a Covid-19 está disponível também para crianças a partir de 3 anos de idade, adolescentes e adultos. Para a primeira dose adicional (DA1), estão elegíveis crianças acima de 5 anos que tomaram a última dose do esquema vacinal há pelo menos quatro meses. Já a segunda dose adicional (DA2) da vacina está disponível para toda a população acima de 18 anos de idade, enquanto a terceira dose adicional (DA3) pode ser recebida por pessoas com alto grau de imunossupressão com mais de 18 anos, sempre respeitados quatro meses de intervalo.

    Multi vacinação infantil

    Também nas UBSs e AMAs/UBSs Integradas, a capital prossegue com a vacinação voltada ao público infantil, com a disponibilização de imunizantes como: tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela), BCG, pentavalente, vacina inativada poliomielite (VIP), vacina oral poliomielite (VOP), pneumo 10, rotavírus, meningo C, meningo ACWY, varicela, hepatites A e B, febre amarela, DTP (difteria, tétano e coqueluche), dupla adulto, HPV e pneumo 23.

    Campanha contra poliomielite

    A campanha de vacinação contra a poliomielite segue para crianças a partir de um ano até 4 anos e 11 meses de idade. O objetivo é imunizar com a vacina oral (VOP) as crianças que estejam com o esquema prioritário com a vacina inativada (VIP) completo, aumentando a cobertura vacinal. Afinal o Brasil, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), apresenta um alto risco de voltar a ter circulação do poliovírus e, consequentemente, a ocorrência da poliomielite, doença que pode provocar sequelas graves e permanentes.

    Na cidade de São Paulo, a vacinação acontece de segunda a sábado nas unidades de saúde da rede municipal. Acompanhe acessando o Vacina Sampa.

    Serviço – Vacinação em SP

    No dia 14 de fevereiro de 2023 (terça-feira)

    • Unidades Básicas de Saúde (UBSs): Vacinação crianças, adolescentes e adultos – Funcionamento das 7h às 19h.
    • AMAs/UBSs Integradas: Vacinação crianças, adolescentes e adultos – Funcionamento das 7h às 19h.
    • Megapostos: Vacinação adolescentes e adultos – Funcionamento das 8h às 17h.
  • Vacinação em SP: Imunização contra Covid-19, poliomielite e outras doenças nesta quarta

    Nesta quarta-feira (8), a vacinação contra a Covid-19 segue para toda a população acima de 6 meses de idade na cidade de SP. O serviço está disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs)/UBSs Integradas e megapostos.

    Desde a última quinta-feira (2), todas as crianças com idade de 6 meses até 2 anos, 11 meses e 29 dias podem receber o imunizante contra a Covid-19. Para este público, o esquema vacinal é realizado em três doses, sendo a segunda dose quatro semanas (28 dias) após a primeira, e a terceira dose oito semanas (56 dias) após a segunda.

    Vale lembrar que Pfizer Baby contra a Covid-19 pode ser administrada simultaneamente com as demais vacinas do Calendário Nacional de Vacinação para o público infantil, segundo o Ministério da Saúde.

    Esquema vacinal para outras faixas etárias

    Na cidade de São Paulo a imunização contra a Covid-19 está disponível também para crianças a partir de 3 anos de idade, adolescentes e adultos. Para a primeira dose adicional (DA1), estão elegíveis crianças acima de 5 anos que tomaram a última dose do esquema vacinal há pelo menos quatro meses. Já a segunda dose adicional (DA2) da vacina está disponível para toda a população acima de 18 anos de idade, enquanto a terceira dose adicional (DA3) pode ser recebida por pessoas com alto grau de imunossupressão com mais de 18 anos, sempre respeitados quatro meses de intervalo.

    Multivacinação infantil

    Também nas UBSs e AMAs/UBSs Integradas, a capital prossegue com a vacinação voltada ao público infantil, com a disponibilização de imunizantes como: tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela), BCG, pentavalente, vacina inativada poliomielite (VIP), vacina oral poliomielite (VOP), pneumo 10, rotavírus, meningo C, meningo ACWY, varicela, hepatites A e B, febre amarela, DTP (difteria, tétano e coqueluche), dupla adulto, HPV e pneumo 23.

    Campanha vacinal contra poliomielite

    A campanha de vacinação contra a poliomielite segue para crianças a partir de um ano até 4 anos e 11 meses de idade. O objetivo é imunizar com a vacina oral (VOP) as crianças que estejam com o esquema prioritário com a vacina inativada (VIP) completo, aumentando a cobertura vacinal. Afinal o Brasil, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), apresenta um alto risco de voltar a ter circulação do poliovírus e, consequentemente, a ocorrência da poliomielite, doença que pode provocar sequelas graves e permanentes.

    Na cidade de São Paulo, a vacinação acontece de segunda a sábado nas unidades de saúde da rede municipal. Acompanhe acessando o Vacina Sampa.

    Serviço – Vacinação em SP

    No dia 8 de fevereiro de 2023 (quarta-feira)

    Unidades Básicas de Saúde (UBSs): Vacinação crianças, adolescentes e adultos – Funcionamento das 7h às 19h.
    AMAs/UBSs Integradas: Vacinação crianças, adolescentes e adultos – Funcionamento das 7h às 19h.
    Megapostos: Vacinação adolescentes e adultos – Funcionamento das 8h às 17h.

  • Estado de São Paulo inicia vacinação de reforço contra Covid-19 para crianças de 5 a 11 anos

    Estado de São Paulo inicia vacinação de reforço contra Covid-19 para crianças de 5 a 11 anos

    O Governo de SP amplia o público-alvo para a imunização contra a Covid-19. Crianças entre 5 e 11 anos, que completaram o esquema vacinal primário, com a primeira e segunda dose, há pelo menos quatro meses, já podem tomar o reforço da vacina. Já os mais novos, de 6 meses a 2 anos e 11 meses, podem ser levados aos postos da vacinação para dar início à proteção contra o coronavírus.

    No início desta semana, o Estado de São Paulo recebeu do Ministério da Saúde dois milhões de doses da Pfizer destinadas ao público infantil e a Secretaria de Estado da Saúde (SES) distribuiu, na sequência, os itens para todos os municípios, que são responsáveis pela organização local da vacinação.

    Para o Secretário de Estado da Saúde, Eleuses Paiva, a medida vem de encontro à política da nova gestão. “Desde o princípio nós falamos que uma das nossas prioridades seria incentivar a vacinação da população e, aos poucos, vamos ampliando nosso calendário e alcançando cada vez mais a cobertura vacinal ideal, não só contra a Covid-19, mas contra outras doenças também”.

    A SES reforça a importância de pais e responsáveis levarem seus filhos para se vacinar, principalmente com as doses de reforço, para o enfrentamento à Covid-19. Com isso, se evita os casos mais graves, internações e, até mesmo, óbitos. Até esta terça-feira (31), mais de 128,4 milhões de doses contra a Covid-19 foram aplicadas em todo o Estado. Deste total, 15,7 milhões foram destinadas à população de 6 meses a 17 anos. O avanço na vacinação, separado por faixa etária, pode ser acompanhado diariamente pelo site: https://vacinaja.sp.gov.br/vacinometro.

    A Pasta também reforça a importância da vacinação para aqueles que já estão aptos a se vacinarem, mas ainda não fizeram. Neste momento, 2,3 milhões estão em atraso com a 2ª dose, 8,9 milhões para a 1ª dose de reforço e 14,2 milhões para a 2ª dose de reforço.

    O número de doses destinadas ao reforço ainda não atende todo o público elegível de 5 a 11 anos, porém, é possível iniciar a imunização de reforço deste público. A SES segue cobrando o Ministério da Saúde o envio de mais doses.

  • Estudo indica que vacinados com três doses tem mais proteção contra variante ômicron

    Estudo indica que vacinados com três doses tem mais proteção contra variante ômicron

    O trabalho, publicado no Journal of Medical Virology, mostra ainda que os vacinados com três doses possuíam mais anticorpos capazes de neutralizar o coronavírus do que os voluntários que não haviam completado o esquema vacinal ou mesmo os que já haviam tido a doença previamente. Mais de 80% dos infectados do estudo não tinham tomado a terceira dose.

    “Ainda que alguns dos testados previamente infectados pudessem apresentar uma maior quantidade de anticorpos que reconheciam o vírus, os vacinados com três doses possuíam uma melhor qualidade de anticorpos, ou seja, que não apenas reconheciam como efetivamente neutralizavam o SARS-CoV-2”, conta à Agência FAPESP Jaime Henrique Amorim, professor da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), que coordenou o estudo junto com Luiz Mário Ramos Janini, professor da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-Unifesp) apoiado pela FAPESP.

    As amostras foram coletadas na cidade de Barreiras, no oeste da Bahia, durante um surto da ômicron ocorrido entre janeiro e março de 2022. Pacientes que chegavam a uma unidade de saúde com sintomas gripais tinham coletadas amostras de swab nasal. A maior parte teve colhidas ainda amostras de sangue.

    Os vírus presentes nas amostras foram isolados e sequenciados, confirmando que eram da cepa ômicron. Os pesquisadores então separaram amostras do soro do sangue dos pacientes para testar a ação dos anticorpos sobre essa variante e sobre a cepa original de Wuhan, que deu origem à pandemia.

    “Os anticorpos presentes nas amostras dos vacinados com três doses se mostraram capazes de neutralizar não apenas a cepa original de Wuhan, como também a variante ômicron. Isso não ocorreu com os não vacinados ou que tomaram uma ou duas doses”, comenta Robert Andreata-Santos, que realiza estágio de pós-doutorado na EPM-Unifesp com bolsa da FAPESP e é um dos primeiros autores do artigo, junto com Jéssica Pires Farias e Josilene Pinheiro, da UFOB.

    Proteção

    Entre os vacinados que se infectaram durante o estudo, apenas 16 haviam tomado a terceira dose. Os 189 que testaram negativo contaram com uma proporção menor de não vacinados (23) do que de vacinados (166), sendo 51 com as três doses.

    O estudo ocorreu num momento em que poucas pessoas haviam tomado a terceira dose dos imunizantes desenvolvidos contra a COVID-19. Os vacinados haviam sido imunizados, em sua maioria, com as vacinas CoronaVac ou AstraZeneca nas duas primeiras doses e o chamado boost com o imunizante da Pfizer, como a maior parte dos brasileiros.

    “Como esperado, vimos que a vacina não impede necessariamente a infecção. O que trazemos de novo é que os vacinados com três doses possuem anticorpos que neutralizam mesmo a ômicron, que surgiu quando as vacinas usadas atualmente já existiam”, explica Luís Carlos de Souza Ferreira, professor do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) e coordenador da Plataforma Científica Pasteur-USP, outro coautor do estudo apoiado pela FAPESP.

    Segundo Ferreira, o resultado tem repercussão para o mundo todo, pois mostra a importância de se administrar doses adicionais dos imunizantes atualmente disponíveis para a população. Além disso, os resultados indicam que as diferentes combinações de vacinas aplicadas no país funcionam e são capazes de conferir proteção contra a infecção mesmo por variantes recentes como a ômicron.

    “Os dados que se tinha sobre a terceira dose eram na maioria de países do hemisfério Norte, que foram mais homogêneos nas marcas de vacina usadas. O que temos agora é mais relevante para a realidade brasileira”, destaca Amorim.

    Resultados preliminares de uma nova análise, realizada recentemente pelo grupo no mesmo município, mostram que a administração da quarta dose surtiu efeito também interessante. Os pesquisadores observaram uma ocorrência ainda menor de quadros da doença, mesmo entre os infectados.

    “Aparentemente, a quarta dose é tão importante quanto a terceira. Enquanto novas vacinas feitas especialmente para as novas variantes não estão disponíveis, é fundamental manter altos os níveis de anticorpos neutralizantes na população, o que só se consegue com as doses adicionais”, encerra Andreata-Santos.

    A pesquisa teve apoio da FAPESP ainda por meio de Bolsa de Pós-Doutorado para Maria Fernanda de Castro Amarante. O estudo contou também com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Instituto Serrapilheira.

    O artigo The third vaccine dose significantly reduces susceptibility to the B.1.1.529 (Omicron) SARS-CoV-2 variant pode ser lido em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/jmv.28481.

    Pela Agência FAPESP

  • Estudo mostra que COVID-19 pode ser detectado em lágrimas

    Pesquisa liderada por cientistas da Universidade de São Paulo (USP) concluiu que o vírus da COVID-19 pode ser detectado em lágrimas por meio de testes com swab, haste flexível com algodão na ponta usada na coleta de material para exames.

    Ao analisar amostras de pacientes internados no Hospital das Clínicas de Bauru (SP) com diagnóstico da doença confirmado por métodos convencionais, os pesquisadores detectaram o SARS-CoV-2 na superfície ocular utilizando esse tipo de teste em 18,2% dos casos. O resultado indica uma alternativa ao swab nasal e oral, que causa desconforto no nariz e na garganta, e sinaliza a necessidade de medidas de proteção para os profissionais de saúde já que, apesar de baixo, há risco de transmissão do vírus pela lágrima.

    Além disso, a combinação de dois fatores – mais comorbidades e maior taxa de mortalidade – entre pacientes com teste positivo na lágrima sugere que a detecção viral pode auxiliar no prognóstico da doença.

    Os resultados foram publicados em artigo no Journal of Clinical Medicine.

    “No início da pesquisa, pensamos em buscar um método de diagnóstico fácil, com a coleta de material sem tanto incômodo para os pacientes. O swab nasal, além de provocar desconforto, nem sempre é usado da maneira correta. Para pessoas com desvio de septo nasal, por exemplo, pode ser um problema. Achávamos que a lágrima seria mais fácil de executar, mais tolerável. Conseguimos mostrar que é um caminho. Uma limitação nesse estudo é que não sabemos se a quantidade de lágrima coletada influencia na positividade ou não”, afirma o autor correspondente do artigo, o professor Luiz Fernando Manzoni Lourençone, da Faculdade de Odontologia de Bauru e do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, ambos da USP.

    Segundo o pesquisador, é possível inferir que a probabilidade de detectar o vírus em amostras lacrimais é maior em pacientes com carga viral alta, que pode levar a um quadro de viremia disseminada por diversos fluidos corporais.

    O trabalho recebeu apoio da FAPESP por meio de Bolsa de Iniciação Científica concedida a Luís Expedito Sabage, aluno de graduação, orientando de Lourençone.

    Técnica

    De 61 pacientes internados, foram analisadas amostras de 33 deles com diagnóstico de COVID-19 e de outros 14 sem o vírus, obtidas durante o primeiro semestre de 2021, quando as principais variantes que circulavam no Estado de São Paulo eram a gama e a delta.

    Os cientistas utilizaram duas formas para coletar as lágrimas – o swab conjuntival e as tiras de Schirmer (exame para avaliar se o olho produz quantidade suficiente de lágrimas). As avaliações foram realizadas entre julho e novembro do mesmo ano.

    Do total, o SARS-CoV-2 foi detectado em 18,2% das amostras coletadas por swab e em 12,1% das obtidas por meio de tiras de Schirmer. Por outro lado, como esperado, nenhum dos pacientes negativos para COVID-19 em exames feitos com swab nasofaríngeo teve amostra de lágrima positiva.

    Para avaliar as comorbidades, o grupo adotou o Índice de Comorbidade de Charlson (ICC), composto por 20 fatores e desenvolvido como forma de padronizar e ajustar indicadores de risco, discriminando o prognóstico de um paciente em termos da mortalidade no período de até um ano.

    Segundo a pesquisa, os indivíduos cujas lágrimas testaram positivo para o SARS-CoV-2 tiveram ICC inferior em relação ao restante (apontando maior probabilidade de óbito em dez anos) e taxas de mortalidade mais altas.

    Independentemente do diagnóstico de COVID-19, a maioria dos indivíduos apresentou baixa produção lacrimal e desconforto ocular, indicando a necessidade do uso de lágrima artificial durante a internação.

    Além de dados demográficos, clínicos e de sintomas oculares, os cientistas trabalharam com análises de RT-qPCR (sigla em inglês para Reação em Cadeia de Polimerase de Transcrição Reversa). O método requer a extração do material genético; um processo de transcrição do RNA em DNA e, por fim, a multiplicação do DNA. Considerado padrão-ouro para diagnóstico da COVID-19 e amplamente usado em vários laboratórios pelo mundo, o exame é capaz de detectar a presença de até mesmo uma única cópia do material genético do vírus na amostra.

    Ao contrário de estudos anteriores, em que genes virais (N e RdRp) não foram considerados nas análises de RT-qPCR, nesse caso a pesquisa identificou diferentes partes do vírus, resultando em uma melhor taxa de detecção.

    Em julho de 2021, foi publicado o resultado do trabalho de um grupo da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Campinas (FCM-Unicamp) que acompanhou 83 pacientes internados no Hospital de Clínicas da cidade, dos quais 8,43% tiveram amostras de lágrimas ou da superfície ocular positiva para a doença.

    “Quando começamos, no início de 2021, não tínhamos tecnologia para fazer o cruzamento de alguns tipos de dados, saindo da ciência básica para a prática clínica. Nesse intervalo, o Sabage fez um estágio no Byers Eye Institute, do Departamento de Oftalmologia da Universidade Stanford [Estados Unidos], uma referência em estudos de fluidos oculares complexos. Com a tecnologia de lá, foi possível fazer vários pareamentos e constatar a presença de SARS-CoV-2 em lágrimas das nossas amostras. A associação com outra equipe trouxe resultados para nosso campus e abriu uma nova linha de pesquisa”, completa Lourençone à Agência FAPESP.

    O estágio em Stanford recebeu apoio da FAPESP.

    Possibilidades

    Agora, o grupo de pesquisadores iniciou uma nova linha com foco na detecção de doenças por meio de testes e exames ligados aos olhos. O objetivo é trabalhar com outros tipos de vírus, além do SARS-CoV-2.

    “Existem outros vírus ainda pouco estudados no Brasil. Pretendemos nos dedicar a encontrar soluções e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Vamos analisar também outras condições virais que se tornam sistêmicas”, diz o professor.

    O artigo Conjunctival Swabs Reveal Higher Detection Rate Compared to Schirmer Strips for SARS-CoV-2 RNA Detection in Tears of Hospitalized COVID-19 Patients pode ser lido em: www.mdpi.com/2077-0383/11/23/6929.